sábado, 10 de dezembro de 2011

Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria

Olá, pessoal! Paz e bem!!!


Eu fiquei de postar um texto sobre a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, no dia da Solenidade, 8 de dezembro. Porém, fiz uma peregrinação e caminhei 40 km de Pará de Minas a Conceição do Pará, pedindo a intercessão de Maria Imaculada por todos nós, da noite do dia 7, pela madrugada e parte da manhã do dia 8. Cheguei em casa exausto e não tive condições de escrever. Claro! rsrsr Dormi das 15 h de ontem até as 5 h da manhã de hoje! Mas todo sacrifício valeu a pena. A graça foi maior que tudo!!!


Nossa Igreja proclamou quatro dogmas (verdades de fé) marianos, a saber: 1) Maternidade Divina - Maria é Mãe de Deus, proclamado no Concílio de Éfeso, no ano de 431; 2) Virgindade Perpétua - Maria sempre virgem, não me lembro a data de proclamação; 3) Imaculada Conceição - Maria concebida sem pecado, proclamado pelo Papa Pio IX em 1854; 4) Assunção de Maria ao Céu - Maria elevada em corpo e alma para o céu, proclamado pelo Papa Pio XII, em 1950. Vou me deter apenas no dogma da Imaculada Conceição, cuja festa nos é recente. Desses quatro dogmas, o que primeiro fundamenta a crença católica acerca de Maria é exatamente o primeiro da lista, o da Maternidade Divina. Maria, enquanto Mãe de Jesus, é Mãe de Deus, que se fez homem e habitou no meio de nós (Jo 1,14).




Das quatro verdades de fé fundamentais da doutrina católica no que se refere a Maria, a que mais me admira é a sua Imaculada Conceição. Para que Jesus viesse ao mundo, Deus preparou uma mãe pura e sem pecado para que o seu filho fosse concebido em um ventre puro, sem mancha, ou seja, "imaculado". "Macula" é uma palavra latina que significa "mancha", e que, por sua vez, exprime uma conotação do pecado. Todos nós, homens e mulheres, nascemos "maculados" pelo pecado, manchados desde a nossa concepção pela desobediência primeira dos nossos primeiros ancestrais.


Assusta-me a grandeza de Deus nessa ocasião. Tudo Ele fez de modo perfeito, sem mácula. É sempre infalível e irrepreensível diante da criação. Pela hereditariedade, Maria transmitiria a Jesus o pecado original, caso não tivesse sido concebida sem a desgraça primeira. Por isso, Maria foi proclamada por Pio IX, após séculos de e veneração e conhecimento pela Igreja, o grandioso dogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria.


Assim ficou definida a Imaculada Conceição de Maria, pela bula "Ineffabilis Deus", promulgada em 8 de dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX: "A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis."


É lindo perceber que a ação de Deus na vida de Maria já havia sido prevista pela profecia de Isaías: "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Deus Conosco, o Emanuel." Is 7,14


Na liturgia da solenidade que celebramos a Igreja nos propõe, com um especial carinho pastoral, as leituras que indico a seguir: 1 Leitura Gn 3,9-15.20; Salmo 97; 2 Leitura Ef 1,3-6.11-12; Evangelho Lc 1,26-38. Não deixe de ler, pois essas leituras esclarecem completamente a graça dessa celebração.


Sabiamente, a Igreja nos define de forma clara o dogma da Imaculada Conceição de Maria em duas partes na Santa Missa: na oração da coleta, onde se lê "Ó Deus, que preparastes uma digna habitação para o fosso Filho, pela imaculada conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!" Eis a razão pela qual Maria foi concebida sem pecado: tornar-se uma morada digna para seu Filho divino. O segundo momento é o prefácio da oração eucarística, onde se lê "Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. A fim de preparar para o vosso Filho mãe que fosse digna dele, preservastes a Virgem Maria da mancha do pecado original, enriquecendo-a com a plenitude da vossa graça. Nela nos destes as primícias da Igreja, esposa de Cristo, sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha, que tira os nossos pecados. Escolhida, entre todas as mulheres, modelo de santidade e advogada nossa, ela intervém constantemente em favor do vosso povo." Esta é uma verdadeira catequese, resumida em poucas linhas, sobre esse dogma tão fundamental da nossa fé mariana.


Nós temos uma mãe. E essa mãe, cheia de ternura, nos acolhe e nos leva sempre ao seu Filho. Eu ouvia as palavras de Dom Tarcísio, bispo diocesano de Divinópolis que presidia a Santa Missa em Conceição do Pará, que a salvação operada por Cristo é retroativa, e alcançou até mesmo sua Mãe, tornando-a toda santa e imaculada antes mesmo de sua vinda ao mundo, para que pudesse encarnar-se em um corpo inviolado pelo pecado.


Diante de tamanha grandeza da nossa fé, só nos resta suplicar à Mãe de Deus e da Igreja, Mãe de cada um de nós: "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!"


Que Deus nos abençoe a todos, por intercessão de Maria.


Abraços!




Eduardo Parreiras

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tempo de esperas

Olá! Paz e bem!!!

Estou curtindo muito o tempo do Advento, este tempo de espera, da minha parte, e de fidelidade, da parte de Deus. Eu amo os ventos adventícios, que me trazem a esperança do novo amanhã, iluminado pela graça de ter um Deus feito carne que habitou e permanece entre nós.


A liturgia nos insere no mistério tão amável desse tempo, e nos convida à oração confiante, cujo objeto de amor é o Senhor que vem. O segundo domingo do Tempo do Advento foi marcado pelo salmo 84, que tenho o prazer de reproduzir aqui em texto e, após, em música (claro!).

MOSTRAI-NOS, Ó SENHOR, VOSSA BONDADE,
E A VOSSA SALVAÇÃO NOS CONCEDEI!

Quero ouvir o que o Senhor irá falar:
é a paz que ele vai anunciar;
a paz para o seu povo e seus amigos,
para os que voltam ao Senhor seu coração.
Está perto a salvação dos que o temem,
e a glória habitará em nossa terra.

A verdade e o amor se encontrarão,
a justiça e a paz se abraçarão;
da terra brotará a fidelidade,
e a justiça olhará dos altos céus.

O Senhor nos dará tudo o que é bom,
e a nossa terra nos dará suas colheitas;
a justiça andará na sua frente
e a salvação há de seguir os passos seus.


Bem, pessoal... fui tocado pelas palavras desse salmo. Se já sabemos que este tempo é propício para vivenciar a espera, torna-se claro que "está perto a salvação daqueles que temem o Senhor". Nossa redenção está muito mais próxima do que podemos imaginar. Nossa correria, o cansaço, o desânimo, os desgostos... tantos são os obstáculos que nos impedem de ver e contemplar a salvação que está para chegar, muito menos temos tempo para ver "a glória que habitará a nossa terra". Na verdade, tal glória já habita entre nós e, no entanto, não nos lembramos mais dela.

Verdade e amor já são palavras sem sentido em nosso tempo. Justiça e paz também. Fidelidade pouca gente sabe o significado. Porém, sabemos que "o Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas". Deus permanece o mesmo, independente do que pensemos a seu respeito. A justiça há de guiar os passos daquele que crer, cuja salvação será alcançada se trilhar os caminhos de Deus.

"Adveniat regnum tuum!"

Esta é a aclamação que deve existir no nosso coração no Tempo do Advento. "Que venha o teu reino!" Este é o desejo necessário para a espera Daquele que há de vir. Esperar não é para qualquer um... é só para quem teme e confia em Deus.

Recebi de minha amiga e futura afilhada Alauana Primo dois presentes. O primeiro, em meu aniversário, o livro "Tempo de Esperas", de Pe. Fábio de Melo. Terminei hoje a leitura. Fui profundamente tocado ao descobrir que preciso ter um jardim para cuidar, a fim de crescer como homem (leia o livro e entenderás porque digo isso, rsrs!). Preciso aprender a esperar e nenhum tempo é mais propício que o Advento para iniciar essa vivência. O segundo presente foi uma belíssima melodia do salmo que estamos a refletir hoje, nas vozes de Amanda Pinheiro, Cristiano Pinheiro e Davidson Silva, da Comunidade Católica Shalom, que nos exorta a viver esperando em Deus.


Esperar é necessário. Mesmo que provoque dor.

Até mais!!!!


Eduardo Parreiras

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

É preciso esperar

Boa noite, pessoal!!!

Eu amo o Tempo do Advento, pois me leva a esperar. Tenho experimentado a espera como um graça, pois por mim mesmo eu não sou capaz. Sou ansioso demais para esperar qualquer coisa, inclusive as coisas de Deus. Quero tudo no agora, no já... nada no depois.


A espera contradiz tudo o que nossa sociedade vive em nosso tempo. Ninguém quer esperar nada (inclusive eu!). No trânsito, nas ruas, no trabalho, faculdade, escola, família. Nada pode esperar. Tudo tem que ser pra já!!! E pronto! Não há o que comentar.

Poucos conseguem saborear a vida e torná-la doce. O sal está exagerado e a pressão sobe. A gordura dispensa comentários, e o colesterol mais alto que a estação espacial internacional. A glicose é inconstante e vive num sobe e desce frenético.

As tecnologias disparam sobre nós uma correria desenfreada pela atualização. Não posso ficar para trás, de forma alguma! Tenho que me manter conectado vinte e cinco horas por dia. Vinte e quatro é pouco. E os vícios vem tirar de nós os doces momentos (lentos) da vida.

A correria nos tira a graça do sabor das coisas. Não conseguimos mais admirar sorrisos, olhares, abraços e outros gestos que deveriam ser tão comuns. Cada dia leio coisas absurdas na internet e ouço bobagens infinitas na TV (e olha que não passo nem uma hora do meu dia assistindo algo na TV!). Até sites que eram para ser mais úties (como o Yahoo!, por exemplo), só apresentam bobagens em suas páginas iniciais.

A sociedade quer saber das fofocas das celebridades (ou subcelebridades); os resultados dos jogos de futebol e outros esportes; o que aconteceu na novela... como será a semana sem saber do bafão da novela??? Ahhhh!!! Não existe essa possibilidade!!!


A Igreja, por meio de seus preciosos tempos litúrgicos, nos ensina o essencial da vida, que é estar constantemente em comunhão com Deus. Nossa natureza foi criada por Ele e Dele depende. A parada é tão importante quando o caminho em uma viagem. Aguardar é necessário. Sempre.

Tenho pedido a Deus a graça da constância, para que eu seja fiel na espera. Mas tem sido difícil, muito difícil. É claro que a dificuldade existe. Sem ela não existe cruz e, consequentemente, ressurreição. Esse mistério é o que Deus deseja que vivamos. É mais simples do que imaginamos ou queremos que seja.

Nem sempre sentimos a presença de Deus. Fato. Esse é o exato momento da provação da nossa fé, quando não temos nada nas mãos para olhar e acreditar. É aí que reside a confiança mais desprovida de falsos anseios. É no deserto que se vence a tentação (Mt 4,1-11).

A ausência aparente de Deus revela a sua forma mais presente: a misericórdia. É nela que entregamos nosso ser; é a partir dessa experiência que nos tornamos capazes de entregar tudo a Ele. O coração de Deus, se debruça sobre a nossa miséria e, quando somos capazes de enxergar ambos, crescemos em grandeza de alma. Mesmo que o nosso coração esteja distante, Ele não desiste de nós. Isso se chama "onipresença" divina.


O Advento nos leva a contemplar os desejos de Deus para nossa vida. Entendê-los já é uma outra história, que não precisa ser contada.

Deixo uma música para oração na belíssima voz de Caio Bonicontro, da Comunidade Homem Novo, de Araxá-MG. Seguem a letra e o vídeo no Youtube.

Que Deus te abençoe e te conceda uma excelente experiência de espera neste tempo de preparação para o Natal...

Eduardo Parreiras




Deus de Milagres Caio Bonicontro
Deus tem um plano pra você
Basta só você querer
Tomar posse desse amor

Sinta Sua presença neste lugar
Ele vai te transformar
Nova vida te dará

Mesmo se distante esta teu coração
Ele não desiste nunca de você

Ele é um Deus de milagres
Ele é um Deus de cura
Ele é um deus de amor
E ele quer curar a tua dor
Ele é um deus tão presente
Ele não é invisivel
Você pode tocar
Sentir suas mãos a te levantar
E te dar a vitória

Fonte:
http://www.vagalume.com.br/caio-bonicontro/deus-de-milagres.html#ixzz1fQNfFSaE

sábado, 26 de novembro de 2011

"Adveniat regnum tuum!"

Boa noite, queridos!


Estamos próximos do término do Tempo Comum, celebrado em nossa querida Igreja para recordar a vida e os ensinamentos de Jesus, enquanto peregrinava neste mundo. Em questões de fé, todo fim tende a dar vida a um novo começo, como uma muda que dá lugar a uma rosa a desabrochar.




Viver o Tempo Comum é andar com Cristo e aprender Dele coisas importantes que residem em sua sabedoria. Seu Coração Divino se revela como a alma do pastor que se ocupa em guardar seu rebanho de ovelhas. Durante esse período de graça aprendemos mais sobre seus ensinamentos imersos nas parábolas e contemplamos os milagres realizados, como curas e libertações.


A liturgia nos convida a deixar de contemplar tais mistérios e começar a vivê-los de fato em nosso quotidiano. Cada Santa Missa celebrada é um momento intenso de cura e libertação, e a Igreja quer que vivamos essa graça. Cada oferta levada ao altar é um agradecimento que se sacramenta e se torna comunhão em nosso coração.




Tempo Comum não tem nada de anormal à luz da fé, mas é um chamado a viver uma religiosidade diferente. É um tempo de santificação em um mundo que só vive em pecado. Viver esse período significa procurar viver na prática o que se celebra no Nascimento, Morte e Ressurreição de Jesus, resumido em seu mandamento máximo: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".


Esse tempo, composto de trinta e quatro semanas, é o tempo do amor, o momento que se estende por fazer valer na vida do cristão os ensinamentos que Jesus instituiu e praticou radicalmente. É bem propício criar raízes no Evangelho enquanto vivemos a liturgia que é celebrada nesse tempo. A cor verde, que impera na liturgia, torna real em nosso coração a esperança que se vive na prática das verdades do evangelho. Pela Palavra de Deus que refletimos nesse tempo, deixamos gotejar em nossa alma a Verdade da Salvação, que é o próprio Cristo.


A trigésima quarta semana do Tempo Comum dá lugar a um novo Tempo: o Advento. Nele, preparamos o nosso coração para receber o Cristo que vem. Aliás, o Cristo é sempre "Aquele que vem", o "Deus conosco", ou "Emanuel". Em Cristo Deus se fez presente neste mundo e veio ao nosso encontro. "Na busca de Deus, é Ele quem se apressa e vem correndo ao nosso encontro", dizia Santo Agostinho.




A chegada é sempre celebrada. Festejar um Deus que chega em nosso meio é algo que precisa ser compreendido, e o Tempo do Advento é exatamente esse período que a Igreja estabeleceu para que conheçamos melhor a encarnação do Verbo de Deus, assim como seu Retorno Glorioso.


"Adveniat regnum tuum", dizia Jesus em sua catequese sobre como devemos orar ao Pai. "Que venha o teu reino!" Esse é o desejo que todo cristão deve cultivar em seu coração. No Advento, temos quatro domingos que nos são propostos à conversão e à espera pelo Cristo que chega até nós. Por isso simbolizamos esse tempo litúrgico com uma coroa composta de quatro velas, que significam a luz que se expande à medida em que o Cristo se aproxima. É o tempo da "aproximação" de um Deus que nos ama e nos salva.


"Senhor, vós que sempre quisestes ficar muito perto de nós, vivendo conosco no Cristo, falando conosco por Ele (...)". Esta é a introdução da Oração Eucarística V, redigida no Congresso Eucarístico de Manaus pela CNBB. Esta é a realidade central da nossa vida de católicos: viver em Deus que, em Cristo, fez-se tudo em todos.


"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!" (Jo 1,14). Essa é a realidade que esperamos, não no simples sentido de aguardar, mas de crer, aderir, desejar e comungar.




Comungamos o Cristo que veio até nós e permanece em nosso meio. Celebramos seu "memorial", que o torna sempre presente. Eis o significado do Natal: receber de novo um Deus que aqui já está. Nunca é demais dar um "oi" para o Cristo, que nos amor por primeiro.


Sendo assim, clamemos neste novo tempo: Vem, Senhor Jesus!  "Adveniat regnum tuum!" Que venha o teu Reino!


Tenho escutado muito a canção "Tu és Santo" de Adriana Arydes. Posto, antes do vídeo, a letra para que seja rezada. A parte grifada pode servir de direção espiritual para vivenciar todo este tempo em que clamamos a presença de Jesus no meio de nós.


TU ÉS SANTO
Adriana Arydes


Tão longe procurei no mais simples, estavas tão perto de mim
O som de Tua voz conduziu-me sem deixar-me um fio perder

Sendo humano, sou um sopro Teu
O que me nutre é poder te amar, ó meu Deus!
Tu és refúgio, alicerce para mim
Toda a minha seguraça está em Ti

Inclinai os Vossos céus e descei
Estendei do alto a Vossa mão
E não haverá mal que me possa afligir
Pois tenho a Ti, ó Deus, por mim!

Recebe o meu louvor, a minha oração
Presente para mim, é te render adoração
Por todo o Teu amor, por todo o Teu favor
Feliz sou eu, pois posso declarar: Santo é o Senhor!

Recebe o meu louvor, a minha oração
Presente para mim, é te render adoração
Por todo o Teu amor, por todo o Teu favor
Tu és Santo (4x)





Abraços!!!




Didu

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Missão e música

Boa noite, pessoal!


Hoje, dia 22 de novembro, celebramos a memória de uma grande santa e mártir da nossa Igreja: Santa Cecília. Como músico católico, é claro que busquei um pouco mais de conhecimento sobre essa grande mulher que foi perseguida e martirizada por não aceitar a negação da fé em Cristo, e acabei por descobrir uma grande afinidade com sua personalidade.




Cecília, segundo dados postados na Wikipedia, "é uma santa cristã, padroeira dos músicos pois quando ela estava morrendo, ela cantou a Deus. Não se tem muitas informações sobre a sua vida. É provável que,tenha sido martirizada entre 176 e 180, sob o império de Marco Aurélio. Escavações arqueológicas não deixam dúvidas, sobre a existência, mas sua história só foi registrada no século V, na narrativa Paixão de Santa Cecília."


Pois bem. Reza a tradição que Cecília foi condenada à morte por asfixia, por contrariar as leis do Império Romano ao afirmar sua fé em Cristo. Diz-se que, durante o processo de asfixia, ela não parava de cantar louvores a Deus, e não morreu. Também é conhecida a história de que foi prometida em casamento a um jovem chamado Valeriano, ao qual teria revelado a consagração de sua virgindade a Cristo, após seu casamento. Ele, então marido de Cecília, não só respeitou sua vocação como também se converteu ao cristianismo, recebendo o batismo imediatamente.


O que torna a história de Cecília interessante é que ela viveu a vida em Cristo em forma de música. Harmonia com a vontade de Deus, afinação com a fé e coragem de subir ao palco do martírio e cantar as glórias do Cristo Crucificado. Isso é música para qualquer cristão que queira viver o Evangelho como ideal de vida.


Nós, músicos católicos, devemos seguir esse exemplo de Santa Cecília e deixar que Deus cante em nós, através de nós e apesar de nós. Cantar em nós significa deixar que Deus realize em nosso ser uma obra nova, tornando-nos homens e mulheres capazes de aderir ao evangelho "radicadamente" (para não usar a palavra "radicalmente", que sempre soa, erroneamente, como "fanaticamente"); através de nós no que tange ao nosso chamado a ser evangelizadores pela arte, aonde quer que Ele nos envie; e apesar de nós, por nossos pecados e faltas, que não sejam obstáculos ao anúncio da Palavra de Deus.


O músico católico deve ter seus olhos fixos, antes da partitura, no altar. Lá inicia-se e termina a música que compomos, arranjamos, ensaiamos, entoamos, gravamos e fazemos ficar conhecida. Nenhum de nós pode tirar os olhos daquilo que é verdadeiramente santo pois, caso contrário, nossa música perderia todo o sentido, e seria realmente "nossa", e não de Deus.






O músico cristão precisa deixar de ser autor para ser instrumento. De que adianta a bela composição se não há como executá-la? O instrumento, que não tem vontade própria, pode oferecer (ou não) um belo som. Mas vai depender de quem o toca. Antes da preocupação com o instrumento, que é legítima e necessária, precisamos doar uma parte do nosso tempo ao terço e à sagrada escritura. Antes da escolha das músicas da missa, precisamos deter nossa atenção ao evangelho do dia. Antes da afinação dos instrumentos, está a afinação da nossa vida.


Por outro lado, não podemos acreditar que podemos somente confiar na graça que ela tudo fará. É claro que ela fará, mas com nosso esforço. Precisamos ser músicos "profissionais", no sentido mais místico da palavra. Professar significa aderir, tal qual a nossa "profissão de fé" implica em uma "adesão à fé". Temos que "professar" a nossa fé por meio da música, buscando sempre mais conhecimento na área artística, pois a Palavra de Deus precisa chegar com graça e beleza aos ouvidos incrédulos dos homens do nosso tempo.


Sejamos assim. Deixemos Deus afinar nossas notas da vida, compassar os nossos passos e escrever a partitura que Ele quiser em nossos corações. Sejamos humildes, como um simples húmus que torna fértil os corações daqueles que precisam conhecer a graça de viver em um Deus que se fez homem e habitou entre nós.


Doar o nosso tudo. Eis a nota mais afinada ao instrumento da nossa vida nas mãos de Deus.


"Oferta"
Comunidade Católica Shalom





Santa Cecília, rogai por nós!


Abraços!!!!!!!!!!!!!!




Eduardo Parreiras

domingo, 20 de novembro de 2011

CRISTO, REI DO UNIVERSO

Hoje celebramos a Solenidade de Cristo Rei, que é muito significativa para toda a Igreja e cada um de nós em particular.


No ciclo de celebrações do ano litúrgico, começamos a vivenciar a nossa fé, que é inteiramente centrada em Cristo, no 1° Domingo do Advento, preparando-nos para o Natal do Senhor. Depois das festividades do nascimento de Jesus nós temos a primeira parte do Tempo Comum. Neste tempo, refletimos sobre a vida pública e os ensinamentos de Jesus em suas parábolas e ações durante a sua peregrinação enquanto caminhava neste mundo. A seguir, com a Quarta-feira de Cinzas, começamos o Tempo da Quaresma, período em que a Igreja se prepara para vivenciar os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, na Semana Santa. A Páscoa, tempo mais importante do ano, nos concede a alegria de vivenciar a nova vida trazida pelo Cristo e a vitória definitiva sobre o pecado e a morte. Pentecostes é a solenidade que encerra este período festivo com a invocação e memória do Espírito Santo sobre todos nós. O ciclo termina com a segunda parte do Tempo Comum, quando voltamos para a vida pública de Jesus e seus ensinamentos.


A Solenidade de Cristo Rei não encerra apenas o Tempo Comum, mas todo o ano litúrgico. Tudo o que foi celebrado, desde o Advento, é retomado e vivenciado de forma sucinta nesta única liturgia, e proclamamos o Cristo como definitivo e eterno salvador de nossas vidas.

Jesus trouxe consigo ao mundo a possibilidade de contemplarmos, nele, o rosto de Deus Pai. Isso acontece hoje pela ação do Espírito Santo, que nos acompanha e santifica pela vivência da fé na Igreja. Dizer que Cristo "reina" é o mesmo que dizer que ele é "O Senhor", ou "O Proprietário", ou ainda "Aquele que renova o mundo". Ele é o centro da nossa experiência religiosa, sendo Ele mesmo o próprio meio de nossa "religação" com Deus.

Invocar o Cristo, Rei do Universo, consiste em permitir que o seu reinado aconteça no nosso coração, na nossa família, na comunidade, na sociedade e, consequentemente, em toda a humanidade. Jesus quer que sejamos súditos com direito a reinar com Ele, e esse reino precisa se estabelecer pelo mundo. Nossa conversão está fundamentada exatamente em deixar o Cristo reinar em nós, através de nós e apesar de nós. "É preciso que Ele reine!"


O Reinado de Cristo em nossa vida coincide com a sua providência e misericórdia. Sua coroa, feita de espinhos, nos é ofertada em forma de salvação; seu cetro real, a lança que o feriu, teve a nobre missão de atingir seu coração. Ele carregou seu próprio trono em forma de cruz e se apropriou completamente dele. Já sem seu manto majestoso, foi reconhecido como Rei pelo ladrão que, na mesma situação, se arrepende com as solenes palavras: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino!" (Lc 23,42). Então, ele assumiu com toda a nobreza de homem-Deus o seu reinado, dizendo ao ladrão arrependido: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso!" (Lc 23,43) Logo em seguida, pendeu sobre o lenho da cruz e entregou seu reinado ao Pai: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lc 23,46). Ao terceiro dia, ressurge vencedor para subir ao céus, onde deveria ocupar seu novo e definitivo trono, à direita de Deus Pai, na comunhão eterna do Espírito Santo.

O céu é o reino que o Cristo nos deu por herança, e é preciso viver a regra geral para pertencer a esse reino: "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo." Esta é a constituição legítima que rege a nós, seus súditos.

Temos que proclamar o Cristo como Rei da nossa vida. É preciso desnudar o nosso coração da arrogância que o reveste e seguir o ensinamento de sua Mãe, Rainha do Céu e da Terra, Mãe da Igreja: "Fazei tudo o que Ele vos disser!" (Jo 2, 5)

Cristo, Rei do Universo, Reine sobre nós!!!


Canção "Divino Diálogo" de Ir. Kelly Patrícia



Eduardo Parreiras

Palavras ao vento

As mais belas palavras são aquelas que não precisam ser ditas, pois fazem sentido até mesmo antes de sua pronúncia. A palavra é bela em si mesma quando o sentido que traz em si é facilmente percebido por quem não precisa escutá-la.


A compreensão não é, entretanto, um necessidade básica da palavra, mas a percepção do que ela quer dizer simplesmente é o necessário para sua realização mais íntegra. Cada palavra traz em si mesma sua exata significação, mas não a percepção, que é doada por quem a pronuncia ou a escuta.

O mais belo na palavra é que ela não precisa existir para que o sentido seja. Uma imagem, uma foto, um som... é o necessário para que algo possa ser percebido, ou até mesmo entendido. Um olhar basta; um sorriso cura; um abraço liberta. Uma flor conquista, ombros elevados podem duvidar. Um arroz torrando ao alho e óleo aguça o paladar. Uma água fresca vence a sede. O ar mantém a vida.

A expressão nem sempre traz a palavra em seu significado mais profundo. Um aperto de mãos é mais útil para selar a paz do que um conjunto bem formado de palavras em uma ou várias frases.

Gosto muito das palavras por elas serem capazes de me transformar por dentro. É delas que eu extraio o que quero expressar, quando não encontro em outras formas o que me é mais exato para dizer sem o uso do vocabulário.

Não à toa, São João escreve no prólogo de seu evangelho que "a Palavra se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14), apresentando-nos o perfeito ponto de equilíbrio entre palavra e ação. É a literalidade do "Verbo", enquanto eu procuro o sentido das coisas nos substantivos. Quando procuro o significado nos nomes, eles estão nas ações. Devo aprender mais como utilizar as expressões nas ações ou estados da minha alma. As palavras passarão, então, a ter muito mais sentido para quem me lê.

O silêncio é uma pessoa que sempre me escuta. É nele que as palavras todas perdem ou retomam o sentido. É o lugar da reafirmação da minha fé, que não necessita de palavras para existir.


Eduardo Parreiras