segunda-feira, 7 de outubro de 2013

PONTES


Gosto das pontes.
Elas ligam margens, estreitam caminhos, mas o que mais gosto é a visão que proporcionam do leito sobre o qual estão construídas.
Águas que vão e que vem, vales verdes ou simples rochedos.
Por baixo das pontes pode haver estradas, que também ligam.




Também sou assim.
Quero que por mim passem aqueles que não existem por si só, que se lançam em direção ao outro.
Gosto de ser ponte, de conter por baixo água pura ou rochas firmes.
Se eu tiver por baixo um rio, seja ele caudaloso ou manso, para irrigar corações inertes ou agitados.




Ser ponte é não ter importância em si, a não ser a transposição necessária entre existências que se separam por algum abismo. A ponte em si não tem tanto valor, quanto a aproximação que proporciona.

Reduzir distâncias: eis minha vontade mais inerente ao querer de Deus.



PRESENTE DE DEUS
Maninho



Eduardo Parreiras


terça-feira, 1 de outubro de 2013

VIVER DE AMOR


Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Viver de amor é dar sem medida sem 
na terra salário reclamar. 
Ah! sem contar eu dou, pois 
convencida de que quem ama 
não sabe calcular. (bis)


Ao divino Coração transbordante de 
fineza. Eu dei tudo e leve corro com ardor. 
Não tenho mais que minha única riqueza:
viver de amor! (bis)


Viver de amor é banir todo temor 
toda lembrança das faltas do passado, 
de meus pecados, vestígio algum eu vejo, eu vejo, 
Ao fogo divino um a um foi apagado.


Chama sagrada, ó dulcíssima fornalha. 
Minha morada eu fixo em teu ardor 
Jesus, é aí, que eu canto com alegria:
eu vivo de amor! (bis)


Viver de amor, que estranha loucura, 
diz-me o mundo, ah! cessa de cantar, 
não percas teu perfume, tua vida 
utilmente procura empregar. (bis)


Amar-te, Jesus, que perda fecunda! 
Todos os meus perfumes são teus, pra sempre 
Eu vou cantar ao sair deste 
mundo: eu morro de amor! (bis)



Santa Teresinha do Menino Jesus,
rogai por nós!



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

AQUI...


Não...
Eu não preciso ir embora para ser feliz.
Aqui, deste lugar que me tem, posso olhar muito além de mim mesmo,
muito mais alto do que minha compreensão pode alcançar.


Não sou muito. É no pouco que me realizo.
O que muitos não entendem é que meus poucos, somados, dão muito.
E pra quê precisam entender? Não! Eu não preciso ser compreensível.

Eu não tenho que fugir, nem enfrentar.
Preciso ser eu mesmo.
É assim, e não aqui, que me realizo.
Só existo aqui, agora, na insignificância que me acolhe.


O que há fora de mim é tão relevante quanto o que há dentro,
só que em direções opostas.
Para dentro, aprofundo minhas raízes;
para fora, alço voos cada vez mais altos.

É aqui, assim, em mim que eu quero ficar, ser, existir.
Eu não preciso ir embora para ser feliz.
Não...


NADA MAIS QUE HOJE
Flaviane Montenegro



segunda-feira, 25 de março de 2013

NA DOR, O ENCONTRO...


Bom dia!

Chegamos à semana mais especial do calendário cristão, quando vivemos novamente o mistério do amor de Deus, que entregou seu Filho Único para nossa salvação. Tempo de misericórdia, de graça, de perdão, de assumir os ressentimentos e mexer nas mágoas. É um tempo propício à oração, ao jejum e à abstinência, numa tentativa de treinar o corpo aos anseios da alma, que busca a Deus em cada segundo.

Nós somos feitos para o amor e, por isso, para o encontro. O amor é a abstração do encontro. Encontrar-se é tornar o amor prático, que cura, que salva, que realiza. O amor é o dom mais precioso de Deus, porque é o próprio Deus a derramar sua essência no coração de cada homem e de cada mulher. É a salvação que chega a nós, e nos atinge, como uma flecha inflamada da caridade divina.


Os passos da paixão de Jesus nos levam a um profundo encontro com Ele. Quem não hesita caminhar na dor pode encontrar a eterna alegria; quem não tem medo do sofrimento, rejubila-se com as delícias do céu. A rosa tem, em seu caule, muitos espinhos. Eles a protegem e não é possível pensar uma roseira sem espinhos. A grosseria e ameaça de ferimento que eles conferem não tira em nada a beleza e suavidade da rosa. Cada pétala tem em sua essência um pouco dos espinhos.

O sofrimento nos traz beleza de alma e firmeza nos passos. Não é preciso desejar o sofrimento, mas quando ele chega, é preciso amá-lo. Jesus amou o sofrimento, até o fim. Amou-o por ser instrumento da nossa salvação. É o meio pelo qual o Senhor nos salva da nossa condenação, nos livra dos perigos e nos torna livres da raiz do pecado.

No sofrimento de Cristo somos atraídos pelo amor. Por isso sua Mãe foi ao seu encontro. Maria, a Mãe do Amor, correu-lhe ao encontro por amor, somente. Ela nos ensina como devemos correr ao encontro do Senhor, seja no amor ou na dor. Ela o amou por inteiro, desde o dia que recebeu a mensagem do anjo de que seria Mãe do Salvador. Ela, cheia de graça, nunca mais pôde agir sem ser movida pelo amor e nos ensina também a amar o Senhor em todos os momentos da nossa vida. O amor é perene, não pode acabar.


Da cena do encontro da Mãe com o seu Filho ferido deve brotar em nós a força que gera a fé, pela qual nos aderimos ao propósito de Cristo, que é o amor incondicional a Deus e aos irmãos. Deste encontro doloroso deve surgir em nossos corações o desejo do encontro entre as pessoas, as diversas realidades que vivemos, o acolhimento do diferente e a sobriedade da vivência do evangelho. Neste dia, em que celebramos o encontro de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, ambos imersos na dor, embora sejam dores diferentes, devemos nos lembrar daqueles pobres e abandonados, que já não tem com quem se encontrar. Muitos são os solitários do nosso tempo, que não conhecem palavras como "partilha", "amizade", "companheirismo" e "afeto". Lembremo-nos dos que já não reconhecem o valor da família, cada vez mais desunida, fragmentada e desencontrada, realidade tão facilmente percebida na nossa sociedade. Os pais já não encontram os corações de seus filhos, e as mães, já não se encontram como mestras do lar. Nossos jovens, nossos queridos jovens, muitos dos quais escolhem outros encontros, muitos deles nocivos como as drogas e a prostituição, precisam do encontro com o Cristo que cura, salva e liberta. Nosso jovens também precisam encontrar-se com Maria, que nos ensina a acolher e gerar Cristo para o mundo!

Neste ano celebraremos no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude, um grande encontro de fé e alegria, em torno do sucessor de Pedro, o Papa Francisco. Que, a partir deste encontro doloroso de Maria com seu Filho, ambos imersos na dor, possamos fazer do nosso coração um lugar de encontro e acolhida para a juventude do nosso país, a fim de atrairmos cada vez mais jovens para o Reino de Deus, proclamado e inaugurado por Cristo.


Não deixemos de nos encontrar com Cristo nesta semana, em que vivemos intensamente o mistério da Páscoa do Senhor. Seguremos a mão de Jesus com toda a força. Ele mesmo nos conduzirá à sua gloriosa ressurreição.

Para refletir, uma canção muito conhecida, que nos ajuda na reflexão que proponho neste post.


COM TUA MÃO
Suely Façanha





Fraternalmente,


Eduardo Parreiras
Seminarista da Arquidiocese de Belo Horizonte
1° Período de Teologia - PUC Minas


domingo, 3 de março de 2013

APOSTOLICA SEDES VACANS



"Tira as sandálias dos pés, pois o lugar onde estás é uma terra santa." Ex 3,5b


Amados irmãos e irmãs em Cristo: louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo!


Neste terceiro domingo da Quaresma temos uma Liturgia da Palavra bastante rica, porém um pouco confusa, a princípio. Na primeira leitura, do livro do Êxodo (Ex 3,1-8a.13-15), temos a famosíssima passagem de Moisés que, ao conduzir o rebanho de Jetro, seu sogro, em direção ao Monte Horeb, teve uma belíssima revelação de Deus, por meio da visão da sarça ardente. Mesmo incendiada, a sarça não se consome e Moisés se maravilha com a beleza da visão.


História conhecida do Antigo Testamento, com um sentido bastante simples: Deus se revela e se dá a conhecer. Ele é "Aquele que é" (Ex 3.14a). Seu nome, sua personalidade, sua bondade e amor são inefáveis, de impossível descrição. É um Deus próximo, que torna santo todo aquele que o toca, mesmo que com o olhar que lhe é dirigido a certa distância. Todo aquele que se apaixona por "Eu sou" torna-se um ente repleto de vida, banhado pela eternidade.

A Igreja, terra santa e o Novo Horeb, é para nós o monte de Deus na Nova e Eterna Aliança. É na Igreja que a salvação se realiza, onde o homem pode se tornar cada vez mais humano, mais próximo de sua essência primeira, como imagem e semelhança de seu Criador. Cristo, ao reconciliar o mundo com Deus, fez do seu novo povo eleito uma nação santa, portadora do Evangelho do seu amor incondicionalmente salvífico. É na Eucaristia que a sarça do nosso coração não para de queimar, sem se extinguir. É no Coração Sagrado de Jesus que encontramos toda graça e redenção.

Este novo povo eleito, ou seja, toda a humanidade, é potencialmente a Igreja em meio ao mundo. E essa imensurável comunidade humana, repleta do amor de Deus, e também das imperfeições humanas, navega pela história em direção ao céu, que há de vir.


Estamos vivendo um tempo em que o Senhor se revela mais uma vez a nós e, com todo a força de seu amor, nos convida a tirarmos novamente as sandálias dos pés, para tocar, com nossa humanidade, o solo sagrado de sua bondade.

Neste período de Sé Vacante, em que não temos um Papa para chefiar o rebanho de Cristo, precisamos entrar em profunda oração, em comunhão com todo o Corpo Místico de Cristo, de modo especial o Sacro Colégio dos Cardeais, que elegerão, em breve, um novo Sumo Pontífice, que Cristo coroará como ponto de unidade e referência para suas ovelhas. Não me sinto órfão, nem abandonado pelo Papa Emérito, Sua Santidade Bento XVI. Sinto-me, antes, profundamente amado por este homem tão grande, tão humilde e manso. Ele aprendeu de Cristo as virtudes que considero mais sublimes para que o homem se volte com todo o coração para o Senhor: a mansidão e a humildade. Manso porque se deixou tocar pela mão de Deus, e humilde, porque seu coração se tornou húmus, terra fértil, onde a Palavra de Deus germina em graças para toda a Igreja.


A Sé de Pedro está vazia. Ainda não há quem a ocupe, mas em breve teremos um outro Pastor que nos será dado pelo próprio Cristo. O convite que o Senhor nos faz é que o amemos desde já, mesmo que não saibamos quem será. Rezemos pelo Colégio Cardinalício, responsável por abrir a Igreja à moção do Espírito Santo, que virá em nosso favor.

É preciso louvar a Deus sem cessar. Afinal, "ele é bondoso e compassivo" (Sl 102).


EU TE LOUVAREI / TE ADORAR
Walmir Alencar





Deus nos abençoe!


Eduardo Parreiras
Seminarista do 1° Ano de Teologia
Arquidiocese de Belo Horizonte

domingo, 24 de fevereiro de 2013

MAIS DE DEUS!


Boa noite!


Neste segundo domingo da Quaresma a Igreja nos propõe uma subida ao Monte Tabor, a fim de transfigurar nossa vida com o Cristo. No alto do monte Jesus se ilumina à vista de seus discípulos mais próximos, e lhes oferece uma visão breve da sua glória, enquanto Senhor do céu e da terra. Da nuvem vem a fala: "Este é o meu Filho muito amado, em quem ponho a minha confiança. Escutai o que ele diz!" Lc 9,35


O conteúdo cristão da conversão é muito mais que uma mera mudança de denominação religiosa, mas uma drástica mudança de vida. Ao contrário do que se prega, a conversão cristã não se dá de uma Igreja para outra, mas de uma atitude para a outra, cuja finalidade é uma adesão perene ao projeto salvífico de Cristo, a partir de uma experiência profunda de sua presença em meio à humanidade.

Pedro, comovido com tamanha glória que lhe era apresentada aos olhos, reconheceu o imenso gozo daquele momento, dizendo que era bom estar ali, contemplando a transfiguração. Muitas vezes também nós nos surpreendemos com a contemplação da graça de Deus e com a experiência que dela fazemos. Nossa frágil natureza humana não resiste a imensidão da presença de Deus. O problema é quando usamos isso como pretexto para não permanecer diante Dele, e justificamos o nosso pecado a partir da nossa exagerada fraqueza.

A conversão faz parte de um caminho, cujo percurso não se faz da noite para o dia. Não dá para percorrer os mais de quinhentos quilômetros entre os Santuários da Serra da Piedade, em Minas Gerais e Aparecida, em São Paulo, em apenas um dia. O processo de caminhada é lento e inclui a subida de muitos montes...

É preciso desejar a transfiguração da vida e perpetuá-la em um processo contínuo de conversão. É preciso aderir à glória de Deus na prática do dia a dia, e não apenas com meras práticas religiosas vazias de sentido. Uma novena faz um efeito estrondoso na vida de quem caminha nove dias se convertendo aos poucos, diante da oração que se faz pedindo a intercessão de algum dos grandes Santos da nossa história de fé. Aliás, transfigurar a vida significa, na prática, buscar a santidade todos os dias.

Vale a pena ser de Deus, mas para ser Dele é preciso desejá-lo cada dia, do amanhecer ao anoitecer, e do anoitecer ao amanhecer seguinte, e assim sucessivamente. A conversão é uma transfiguração diária, um novo apaixonar-se pelo Cristo e seus irmãos, que é cada próximo que Deus nos dá por companhia na caminhada.


Eu quero mais de Deus, muito mais do que eu mesmo posso imaginar. É que minha sede é muito maior do que minha lembrança dela...


MAIS DE TI
Gil Monteiro




Abraços...


Didu
Seminarista da Arquidiocese de Belo Horizonte
Estudante do Primeiro Ano de Teologia


domingo, 17 de fevereiro de 2013

UMA VIDA DE GRAÇAS E VITÓRIAS!


Boa noite, amados em Cristo!

Chegamos ao tempo quaresmal, o grande retiro que a Igreja celebra anualmente em sua preparação para a Páscoa do Senhor.
Tempo forte, evidentemente marcado pela penitência e chamado à conversão, a Quaresma é o período do ano litúrgico em que a Igreja mais se recolhe, seja em oração, seja nas práticas penitenciais ou caritativas. Os quarenta dias de deserto refletem na vida da comunidade cristã os passos da agonia, paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, e nos impulsionam a viver com toda a alegria do coração e grande júbilo o triunfo na ressurreição.


Sim, é para a ressurreição que os corações se convergem neste tempo propício ao recolhimento. A Páscoa é um tempo precioso demais para ser vivido de qualquer forma, sem preparação adequada. É necessário caminhar com Cristo em sua dor, para triunfar com Ele em sua vitória, única e perene, sobre a morte.
Cada um de nós, pelo batismo recebido, é introduzido no mistério pascal de Cristo pelo sacramento que nos inicia Nele. É na vivência da fé que a vida de Jesus passa a fazer parte da nossa vida. Por isso, caminhamos com Cristo por todo o ano litúrgico, mas com uma intensidade bem maior no ciclo pascal.
A finalidade deste tempo litúrgico é impulsionar o coração a proclamar a vitória da vida sobre a morte não apenas exteriormente, mas com o testemunho e a própria vida. É por isso que, na Quarta-feira de Cinzas, o evangelho nos apresenta um ensinamento muito importante de Jesus: a entrega do coração a Ele, e somente a Ele. Isso significa que não se deve pronunciar aos quatro ventos que se está a praticar rituais de penitência, tal como o jejum e a abstinência, assim como as práticas de caridade; tudo deve ser praticado no mais profundo silêncio, apresentando somente ao Senhor dos Senhores os sacrifícios que nos levam ao crescimento espiritual.
A penitência nos faz ser mais humildes. É ela também que nos ajuda muito a ser mais obedientes. E a obediência, portanto, nos confere uma nobreza de espírito que só se conquista com a prática constante de obedecer. E como é bom ser obediente! Isso deixa o coração livre para amar e servir! E o serviço? Ah, sim! Ele nos torna homens verdadeiramente entregues ao amor de Deus!


A Igreja celebra a Quaresma para se aproximar sempre e cada vez mais os seus filhos do próprio Cristo padecente, que se prepara para dar a cada homem e mulher deste mundo uma nova e definitiva dignidade: a de filhos adotivos de Deus.
Sigamos os passos do Calvário com Cristo. Ao chegarmos no alto do monte, viveremos em sua paixão a mais nobre experiência do amor, que tudo pode e tudo salva.

A seguir, a canção “Eu quero ser de Deus”, de Celina Borges.
Que a busca da santidade seja constante não somente neste tempo de recolhimento, mas em toda a vida.

EU QUERO SER DE DEUS
Celina Borges


Abraços e que Deus nos conduza ao centro de sua vontade e benevolência neste tempo quaresmal!

Eduardo Parreiras


terça-feira, 20 de novembro de 2012

O TEMPO DA PALAVRA


Boa noite, povo amado de Deus!

Após mais de quatro meses afastado do blog, volto com uma saudade imensa de escrever. Na fala eu não tenho habilidade, e isso já é de conhecimento de quem acompanha um pouco a minha vida, mas gosto muito de escrever e nem sempre tenho tempo para doar às letras.


Sou apaixonado pela linguagem. A comunicação, além de essencial na vida humana, é também fascinante para quem se dispõe a observá-la e refletir sobre ela. Falar, escrever, tentar fazer-se compreendido... como é bom saber que podemos nos comunicar!

Muitos de nós não damos a mínima importância ao que lemos e ouvimos. Não temos interesse em escutar, muito menos em ler. Queremos ver, consumir, ouvir... Uai... como não temos interesse em escutar mas queremos ouvir? Não são significados iguais? Não!

Ouvir está mais ligado à audição, um dos nossos cinco sentidos. Ouvimos tudo ou quase tudo. Escutar já é mais subjetivo e insere valores que devem ser agregados à vida. Ouvir uma música católica, por exemplo, é fácil... o difícil é deixar que ela tenha espaço na existência. Esse "espaço na existência" só pode ser compreendido por quem escuta, ou seja, presta atenção às realidades da vida que o rodeiam. Sob essa perspectiva, escutar exige uma postura ante a vida, o que nem todos querem.

Falar todo mundo quer, escrever talvez. Muitos não querem ter trabalho, mas apenas usufruir do trabalho de outrem. É assim que surgem os trabalhos copiados nas universidades, as paródias musicais, as atitudes nas ruas, as perspectivas televisivas, os ideais mais folclóricos do que óbvios. Sentir todos sentem, mas saber o que se sente é propriedade de muito poucos.


Gosto de escrever porque tenho facilidade de me expressar pelo teclado do computador e minha fala não corresponde à necessidade. Sou lento demais para raciocinar na fala, que não permite "backspaces" nem "deletes". A fala fica na memória e não pode ser apagada. A escrita sim, e pode ser até editada... Gosto disso.

Que a minha palavra passe pelo coração, a fim alcançar seu objetivo, que é construir alguém. Esse alguém pode ser quem quiser crescer na fé, no amor e na esperança, sendo que a esperança pode, muitas vezes, ser comprometida pelas letras. Mas as letras podem ser editadas, o que não ocorre no caso da esperança. Quem espera crê, e ponto final.

A palavra escrita é mais caridosa que a dita, porque a interpretação vai depender do interlocutor e não tanto dos olhos de quem diz.


SOY PAN, SOY PAZ, SOY MÁS
Piero, conhecida na voz de Mercedez Sosa, aqui interpretada por Maninho e Ziza Fernandes



Paz e bem!

Eduardo Parreiras


terça-feira, 31 de julho de 2012

DESABAFO



Graça e paz!

Muitas vezes me pergunto o porquê de tanta divisão, calúnia, injúria, injustiça e tantas coisas ruins presentes no mundo. Incomoda-me o fato de a futilidade das pessoas muitas vezes ser prejudicial a quem não pode reagir às determinações de quem detém o poder, ou sequer tem ideia do prejuízo causado a quem apenas precisa obter, a cada dia, a sobrevida.


O mundo hoje nos leva, muitas vezes, a abdicar de coisas importantes, tal como o sorriso, o abraço, o aperto de mãos desprovido de negociações ou acertos. Rir de bobagens sem compromissos com os amigos, rezar de mãos dadas com alguém e dizer que ama olhando nos olhos; silenciar-se diante das idiotices faladas ao bel prazer de outrem; não reagir às maldosas fofocas que só intentam destruir a imagem de alguém; manter uma fé e lutar por ela, mesmo vivendo imperfeitamente; identificar-se com uma determinada comunidade religiosa que propaga o bem, embora alguns de seus membros só contribuam para a disseminação do mal do mundo, contaminados pelo próprio mal... tantas coisas boas já não fazem sentido para uma maioria que não entende a beleza, singeleza e a força da simplicidade.

Há muita gente deixando sua humanidade perecer enquanto submerge em futilidades, que menos mal seria se não fossem apenas entraves à criatividade e crescimento da personalidade; mas não... elas fazem o homem descer a níveis inferiores de dignidade e inteligência. Não falo de imperfeição, mas de prejuízos à natureza humana.

Qual a necessidade do homem no mundo? A resposta que edifica é apenas uma: ser objeto, e sentir-se como tal, do amor de Deus. É preciso deixar de apenas contemplar a beleza do céu por trás de grades que prendem e não permitem viver o amor em sua plenitude. As imperfeições não podem ser obstáculos intransponíveis para vivenciar um pouco do céu.


Sejamos de Deus. Quem acha que não se ganha nada, não deixa de perder nada.


MALTRAPILHO
Maninho



Deus nos abençoe...


Eduardo Parreiras


sexta-feira, 6 de julho de 2012

CAMINHO PARA O CÉU



Boa noite, amados!

Depois de um grande sumiço do blog por uma inquietante falta de tempo, volto para partilhar com vocês novamente.

Deus sempre me dá graças simples, mas tremendas, e me mantém na fé e no amor, sem perder a esperança. Mas há uma graça que é de suma importância para a caminhada cristã: a amizade. Ultimamente tenho experimentado a alegria de ser amigo e de ter amigos; situações diferentes com o mesmo propósito e o mesmo resultado.



Ser amigo está no âmbito da humildade e doação de si mesmo a quem precisa de um pouco mais de humanidade. É lindo perceber que a doação do "ser" promove um encontro profundo com Deus, de quem se abre a Ele por intermédio de um coração amigo. Há um sério engano quando se pensa que a humanidade é completamente separada da divindade e vice-versa. Na verdade, quem se humaniza de forma sadia acaba no coração de um Deus que quis se fazer homem, para remir a essência outrora perdida. Quando Deus se fez homem e veio morar em nosso meio, doou ao máximo a sua amizade por cada um de nós, fazendo-se nosso melhor amigo. "Já não vos chamo servos, mas amigos", dizia o Senhor. (Jo 15,15)

Tornar-se amigo é uma atitude humilde, já que o termo remete a "húmus", terra fértil. Portanto, humilde é aquele que se faz terra fértil para que floresça a graça de Deus no coração do outro.

Ter amigos está no âmbito da recepção e da mansidão. Receber não é tão simples como se pensa, porque todos querem receber amor, mas doar é para poucos. Porém, a doação resulta na recepção, em um ciclo que nunca se esgota. Para receber bem é preciso aprender a doar bem. É fácil doar o que já não é útil, mas o que é novo e belo... ah! Como é difícil! A roupa velha é doada com uma facilidade muito diferente da roupa nova, mas quem sabe dar o melhor de si mesmo já conquista a totalidade do sucesso do ato pela nobreza que ele contém.

Precisamos saber receber, tal como devemos saber doar. Para isso a mansidão é fundamental. Essa palavra vem de uma outra palavra latina, "manus", que significa "mão". Manso é aquele que se deixa tocar pela mão de outrem. O amigo é, portanto, aquele que se deixa tocar por nossa vida e permite que a graça de Deus fortaleça e mantenha esse toque.

O amigo é aquele que lê a alma com os olhos, com o coração, com as mãos, com os braços, com os ombros, com SMSs, e-mails, mensagens e menções; é aquele que ainda utiliza os Correios para enviar um presente, que faz chorar; ou uma carona, só para ter mais tempo de ouvir a voz que tanto lhe revela Deus. Alguns amigos vão mais além, são audaciosos ao ponto de pegar uma lágrima e apropriar-se dela com uma legitimidade que só a amizade pode conferir. O amigo é aquele que chama para estar junto e, mesmo que você não possa, ele vai chamar de novo outra hora... é aquele que ri de babaquices sem compromisso, só pra te ver feliz. Faz você cantar no telefone, e só não te mata de vergonha porque não é ao vivo e a cores! É aquele que lê a alma de longe, mesmo fingindo que tudo está bem. É aquele que põe um apelido ridículo, só porque quer ter uma cumplicidade maior. É aquele que se esforça, mesmo não sabendo o que vai encontrar pela frente, para te ver de perto.


O amigo é aquele que salva e mantém salvo, ama e mantém no amor, reza e mantém a intercessão. É aquele que, aproximando-se de Deus, leva a Ele para que não se perca do caminho e se mantenha como alvo do Divino Amor.


Aos meus amigos, graça e paz... aos que não são amigos, também!

Amo vocês!!!!

ARVOREANDO
Maninho





Eduardo Parreiras


sábado, 2 de junho de 2012

O AMOR EM NOSSAS MÃOS





Estou aqui a experimentar o amor.
Ele não chega, nem vai embora.
Não tem artifícios, nem se ancora à natureza imperfeita.
Não passa, nem permanece.
Eu o desejo, mas não o tenho.
Eu o tenho, mas não o sei desejar plenamente.
Ele me compromete, e me sinto atraído.
Avanço, ando, paro, volto, fico.
Ali não há incerteza, nem cansaço, nem dor que me atormente.
Nada devo, temo ou mereço.
Quem sou eu para ser audaz o bastante para desejá-lo?
Ele, apenas, é em mim: o amor.



QUEM É ESSE DEUS?
Comunidade Católica Shalom



Eduardo Parreiras

terça-feira, 22 de maio de 2012

CORAÇÕES AO ALTO



"Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Eis os sinais que acompanharão aqueles que crerem: expulsarão demônios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes e beberem veneno mortal, não lhes fará mal algum; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus. Então, os discípulos foram anunciar a Boa Nova por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam." Mc 16,15-20


Amados irmãos em Cristo, graça e paz!

Hoje sinto uma necessidade de partilhar um pouco sobre a importância da festa da Ascensão do Senhor, cuja liturgia celebramos no último domingo. Baseada no trecho do evangelho de São Marcos citado, a liturgia dominical do penúltimo domingo do Tempo Pascal nos sugere seguir o exemplo dos discípulos que, primeiramente, viram Jesus subir ao céu e, em um segundo momento, foram anunciar o evangelho por toda parte.


Vejo duas propostas fundamentais a quem quer seguir Jesus. A primeira consiste em olhar para o céu e desejá-lo de todo coração. Sinto uma necessidade enorme de olhar para o céu e contemplar sua beleza. Refiro-me também a este céu que vemos, o firmamento, no qual podemos fitar a lua, as estrelas, outros astros e, durante o dia, o sol que ilumina, e as nuvens, que desenham de branco a imensidão azul.

Olhar para o céu é uma atitude nobre, que exige conhecimento da terra. Não se pode olhar para lá sem deixar de saber o que se passa por aqui, ao nosso redor, como se o céu fosse a única realidade existente. Mas não é. Temos a terra, objeto primordial do amor de Deus.

É interessante perceber que, no segundo momento os discípulos, já sem a presença "pessoal" de Jesus, começam a levar a sua Boa Nova a todos os cantos, por onde podiam ir. Eles não se contentavam com a visão do céu e levavam a todos os lugares a notícia maravilhosa de que Jesus é o Filho de Deus, Verbo Encarnado, que assumiu a nossa carne para termos com Ele a vida eterna, pela remissão do pecado.

A obra salvífica de Jesus não acontece no céu, mas na terra. Jesus era tão apaixonado pela terra que andava por ela, dizendo aos povos que cressem e se convertessem ao seu evangelho. Pelos caminhos realizava curas, milagres, libertações... ressuscitou mortos e ceou com os marginalizados. Permitiu que mulheres, inclusive estrangeiras, se aproximassem. Levantou da mais profunda miséria a pecadora condenada. Foi crucificado em meio a dois malfeitores... carregou, sozinho, os escárnios que lhe foram impostos por nosso pecado.

A festa solene da Ascensão do Senhor me chama a olhar para o céu, mas com profundo amor à terra. A morada celeste, a mesma para onde quero ir, é também para os meus irmãos, e o próprio Senhor me pede que eu também anuncie tal morada eterna. Enquanto o coração fica amarrado à meta celeste, as mãos e a inteligência ficam na terra, para que muitos se convertam e possam também desejar o céu.

É preciso ancorar o coração no céu. É preciso amar o céu, pensando que a terra pode ser um lugar melhor, com menos sofrimento e dor. Nem Deus, nem o homem, desejam o sofrimento, embora deva ser considerado para o crescimento humano quando não puder ser evitado. A atitude de amar os irmãos é fundamental para ancorar firmemente o coração no céu, repetindo o exato movimento proposto na conclusão do evangelho de São Marcos: primeiro o olhar se volta para o Cristo Ascendente, que é entronizado ao lado do Pai.; depois, a cena se volta para a terra, para o amor que precisa ser anunciado, experimentado e vivido. O amor precisa ser amado... O amor enquanto ação assume várias formas: o olhar, um auxílio, um cuidado, uma companhia, uma oração. Todas são partes do amor inteiro, que é Cristo. Portanto, não devemos reduzir o amor a apenas  um ou outro gesto concreto, mas ao coração que age para favorecer o bem na vida do irmão.

As amizades são uma forma belíssima de ancorar o coração no céu, porque o coração do irmão pode se tornar o nosso céu, se o soubermos amar. Tenho feito a experiência de amar assim, livremente, independente de conceitos restritos do amor. Tenho experimentado amar com o olhar, com a oração, com a lembrança e até mesmo com a indiferença. Ao ser indiferente com algumas pessoas, não quero que sejam ainda mais feridas por mim, mas pretendo evitar que tenham ainda menos chance de me amar. Quando escancaro o meu coração a um novo amor é porque quero investir o amor que vem de Deus naquele coração. É o amor que cura, salva e liberta. O amor é a âncora do coração em Deus, e os amigos são os barcos que nos conduzem pelos mares tempestuosos das nossas imperfeições.

Amemos o céu, sem deixar a terra. Quando formos para lá, levaremos daqui o amor que Cristo nos deixou e pediu que espalhássemos pelo nosso mundo.

Hoje sugiro uma belíssima canção da Comunidade Católica Shalom, que tem tomado um enorme espaço nas minhas orações nos últimos dias...


VIVER E MORRER
Comunidade Católica Shalom (Álbum "Um só Corpo")



Que Deus nos conceda toda graça e toda paz!
Shalom!


Eduardo Parreiras

domingo, 13 de maio de 2012

MÃE DA VIDA


Boa tarde, amados em Cristo!

Hoje, neste dia 13 de maio, em que celebramos como Igreja a festa dos 95 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, temos também a alegria de festejar tão lindo dia na presença de nossas mães. Creio sempre na Divina Providência, e vejo que é realmente providente que os dois motivos celebrativos tenham coincidido.


Maria, Mãe de Deus e nossa, intercede sem cessar por nós no céu, para que sejamos gerados neste mundo como autênticos cristãos, como pessoas de bem, dispostas a amar e mudar o mundo pela força do amor. Ela, gerando Cristo em nós, também nos gera como novos sacrários vivos, com a missão de levar a experiência da Cruz aos confins da terra.

Maria é um exemplo de graça, paz, fé, amor e esperança. Ela, movida pela palavra que lhe foi dirigida, não pôde dizer senão o "sim" que seria a porta de entrada para a nossa remissão; ela, jovem e casta, quis abraçar os planos de Deus, mesmo sem conhecê-los. Por sua vida, a vida se vez morte para reviver em nós perpetuamente.

Cristo, nosso Esposo Ressuscitado, Amado de nossas almas, primeira e grande realidade, motivo maior da nossa vida, foi por ela gerado e veio morar no meio de nós. O Cristo que nos salva é o mesmo Nazareno Filho de Maria. Em suas veias correram o sangue da humanidade, que lhe veio de Maria.

Maria é minha mãe desde antes que eu viesse a este mundo. Minha mãe, quando estava no sétimo mês de gravidez, teve uma crise epilética durante o banho, e caiu com a barriga na quina do vaso sanitário. A partir de então, eu não mexi mais em seu ventre e, no hospital, os médicos queriam que eu fosse abortado. Minha mãe não permitira que fizessem nada, até que, após vários dias de exames, constataram a minha suposta morte. Os médicos preparam o bloco cirúrgico e a enfermeira foi até o leito buscar minha mãe, para que eu fosse retirado de seu ventre.

Minha mãe, desesperada e sem ter como reagir, teve apenas a fé como motor de sua alma naquele momento. Assim que a enfermeira chegou para buscá-la, eu mexi e ela começou a gritar, dizendo que eu havia mexido. O médico veio examinar e não ouviu, novamente, sinal algum de vida. Quando se retirou, eu mexi novamente e, desesperadamente, minha mãe gritou por ele, para que voltasse, pois eu havia mexido uma segunda vez. Quando ele tentou escutar meu coração, ele o ouviu fraquinho, mas vivo! E o aborto não foi realizado!

Este é o quadro de Nossa Senhora de Fátima que fica propositalmente na porta de casa. Ela, que é a "Porta do Céu"!


Durante aqueles dolorosos dias de incertezas, em que minha mãe estava internada, minha tia e madrinha de batismo havia feito uma promessa a Nossa Senhora: ela subiria ao Santuário da Serra da Piedade, em Caeté-MG, comigo ao colo, e me entregaria nos braços da Mãe da Piedade. Isso, de fato, ocorreu! Fui batizado e consagrado à Santíssima Virgem Maria, por vontade de minha mãe, Aldete, e minha madrinha de batismo, Irani, a quem devo tal consagração a tão imenso e Imaculado Coração!


Quando eu era adolescente, aos 15 anos de idade, minha mãe precisou passar por uma difícil cirurgia cardíaca, para reconstituir a válvula mitral, que estava calcificada. Mais uma vez, minha mãe se aproximou de Nossa Senhora, agora sob o título de "Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento", e me entregou a ela. Em seu coração, havia a certeza de que não sobreviveria à cirurgia, e pediu à Mãe de Deus que cuidasse de mim como a um filho de verdade. E Ela o fez! Trouxe-me de volta ao que hoje é a razão da minha vida, a alegria única e primeira da minha alma: o altar do Senhor! É nele que me realizo e alegro; é na Eucaristia que eu me refaço. É para Ela e por Ela que eu ando o mundo se for preciso... Ela é, para mim, a Mãe da Vida!


Hoje eu dedico o "sim" de Maria a todas as mães do mundo. A minha primeira Mãe me deu a oportunidade de conhecer minha segunda mãe, Aldete, e me deu a graça de receber o Santíssimo Salvador em aspecto de pão. Ela, por seu "sim", move minha alma a dizer um "sim" parecido, com a intenção de gerar Cristo no mundo. Meus pecados, defeitos e arestas, são compensados pela beleza da Grande Mãe de Deus, que me corrige, ensina, educa e protege.


Maria, Mãe de Deus, da Igreja e minha Mãe, rogue por mim! Quando eu chegar ao céu, quero que a Senhora me leve a Jesus, para que eu possa deitar minha alma em seu Coração Divino, por toda a eternidade!!!

Mãe do Céu, te amo!!!
Mãe da terra, te amo!!!


A PORTA DO CÉU
Comunidade Católica Shalom - Álgum "Um só Corpo"




Abraços de um filho imperfeito, mas apaixonado por suas duas mães!

Eduardo Parreiras




sexta-feira, 4 de maio de 2012

INDIGNIDADE



Boa noite, queridos!!!

Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!!!


Vou partilhar com vocês uma música que conheci na segunda-feira, por meio de uma galera fantástica de Volta Redonda - RJ, que esteve aqui em Contagem, na casa do meu amigo e futuro afilhado Ramon Cardoso.

Preciso dizer que tenho vivido intensamente o mistério da Cruz de Jesus, e todo o amor que a Paixão do Senhor contém. Embora eu seja ínfimo demais para merecer tamanho amor, não consigo sequer abandonar essa realidade, que tem tomado conta dos meus dias. Fico refletindo as dores de Jesus, que sofreu tudo por mim sem que eu merecesse. Eu sou um flagelo humano, uma sarna que contribui para o fracasso da humanidade a cada pecado que cometo. Quando paro diante do crucifixo e contemplo a imagem, não posso me sentir senão um lixo, diante de tão precioso sangue que por mim foi derramado.




Jesus se aniquilou por inteiro, sem reservas, e sem culpa alguma tomou sobre si todas as minhas culpas. Eu, em meio à sujeira que estraga a essência humana, não mereço ser mencionado entre os nomes daqueles que foram gotejados pelo sangue precioso do Senhor. Não tenho a menor dignidade de receber ao menos um olhar de Jesus, aniquilado pelos maus desejos, pelas minhas inclinações em cometer os delitos que o condenaram. Meus pecados ofuscam a minha visão do Calvário. O mundo quer, a todo custo, embaraçar meus olhos, meus ouvidos e minha mente, numa tentativa maléfica de me afastar da realidade fundamental da minha vida. Preciso me subjugar à graça santificante que brota infinitamente do Lenho da Cruz.

Não quero, nem pretendo, julgar as pessoas, mas posso e devo fazer um bom exame de consciência a respeito de minha pessoa. É certo que não vivo como me foi prescrito nos evangelhos, e não sou merecedor de tão grande graça. Não posso usar o nome de Cristo, tampouco usar a sacratíssima imagem de sua Cruz em meu peito!

Não por acaso a Igreja usa a fórmula "Senhor, eu não sou digno de que entrei em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo!" na liturgia da Santa Missa. Eu não poderia, em hipótese alguma, me aproximar do altar sem pronunciá-la. Não que ela me redima, mas é preciso que eu tome consciência de que a comunhão é um ato supremo de doação de Nosso Senhor.

Eu jamais poderei me acostumar à misericórdia de Deus! Pretendo que ela seja sempre nova em minha vida. Que ela não seja um "algo a mais" em minha história, mas a razão única, última e primeira do meu existir.

Ontem, dia 3 de maio, celebrei uma data muito especial: 20 anos da minha Primeira Eucaristia. Há duas décadas eu me aproximo do altar do Senhor, mesmo não sendo digno de tamanha graça!

A música da Banda Arkanjos me quebrou ao meio. Acho que o recado do evangelho foi dado, dois séculos depois, a um filho ingrato, mas que reconhece ser dependente de cada gota de sangue jorrada no Calvário no início da presente era.

Mesmo que eu não seja digno de carregar o sinal da Cruz no peito, hei de trazê-lo comigo. Que a Paixão do Senhor motive os meus passos, os meus dias e os meus anos... Que cada grito de Jesus seja um motivo a mais para que eu ressuscite, gloriando-me do nome santo que está acima de tudo! Sou feliz, completamente realizado, por ser "a Igreja da Cruz"!

"Jesus, embora eu não mereça ser citado por teus santíssimos lábios, entrego minha vida inteira à tua misericórdia. É por ela, só por ela, que posso ser lembrado por vosso ato de amor e salvação, concretizado pela cruz e definitivamente selado por tua ressurreição. Só posso dizer, com toda a imperfeição que eu possa conter, que te amo!"


SANTA CRUZ
Banda Arkanjos


Indigno,

Eduardo Parreiras

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O MISTÉRIO DO AMOR INTEIRO



CRISTO, O BOM PASTOR


Boa tarde!


Ontem vivemos o 4º Domingo da Páscoa, dia em que celebramos a festa de Cristo, Bom Pastor. O Evangelho proposto pela liturgia é riquíssimo, e vale ser citado em parte:


"Jesus disse: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pos ele é apenas um mercenário que não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pela vida das minhas ovelhas." Jo 10,11-16


Como sabemos, o pastor é aquele homem do campo, que cuida das ovelhas. Por elas ele se consome e doa seu tempo, para que não se dispersem. O rebanho é o conjunto de ovelhas, que precisa andar unido para que nenhuma ovelha se perca. O redil, por sua vez, é o lugar propício das ovelhas, onde elas repousam depois de pastarem durante o dia, cujo zelo também cabe ao pastor.


Nesta primeira imagem, temos a figura de Jesus, o Bom Pastor, dando de comer a uma ovelha. Gosto muito dessa representação, porque ela sugere um Cristo que alimenta, que dá vida, nos salva e nos dá coragem. Todos aqueles que se fazem ovelhas para seguir o Bom Pastor, são também por Ele alimentados. Vejo nessa imagem uma clara alusão ao catolicismo, no qual o Cristo alimenta seus irmãos pelo Pão e pelo Vinho da vida eterna, a Eucaristia.


A segunda imagem nos sugere uma figuração muito própria da Igreja, que pode ser entendida como o redil das ovelhas. O Cristo, ao mesmo tempo que guia o rebanho, também acolhe aquela que provavelmente tende a se fatigar, e não consegue mais andar. Ele a leva aos ombros, que simbolizam o equilíbrio e a temperança. Com Jesus, nossa vida tende a ser leve e feliz, independente dos sofrimentos e tribulações pelos quais possamos passar.

Além disso, a Igreja deve caminhar unida, assim como o rebanho, para que nenhuma ovelha se perca pelo caminho. A dispersão é um sinal de que algo está errado no rebanho: o pastor não conduz bem, ou a ovelha não consegue ouvir os sinais do pastor.


A terceira e última imagem é a que mais me toca e pela qual eu me apaixono. É o Bom Pastor que carrega carinhosamente a ovelha ao colo, com profundo acolhimento e zelo por ela. É o que falta a muitos pastores e a muitas ovelhas de nosso tempo.

Aos pastores falta acolher, carregar, acariciar. O mundo pós moderno sugere a individualidade como indício de liberdade, e não a comunhão, como sugere a fé em Cristo. Muitos pastores perderam de vista os meios mais eficazes para manter o rebanho unido, e já não conseguem pastorear todas as ovelhas.

De outro modo, muitas ovelhas já não ouvem a voz do pastor e se embrenham por caminhos tortuosos, perdendo-se do rebanho e não querem mais voltar ao redil, por achá-lo fechado demais e sem espaço para viver a liberdade.

Embora eu me identifique mais com a terceira figura, creio que hoje precisamos viver a experiência do rebanho de Cristo das três formas propostas: o Pastor que alimenta as ovelhas, que as conduz sempre unidas, mesmo que alguma se machuque, e acolhe e ama cada uma individualmente.

A verdadeira comunhão não está, como muitos pensam, no todo, mas na experiência particular que impulsiona para uma experiência do todo. Precisamos viver o pastoreio de Cristo como ovelhas que ouvem sua voz e seu coração, alimentam-se dele e só andam unidas ao seu rebanho, porque amam o seu redil.

Aos pastores fica a sugestão de serem, além de pastores somente, ovelhas também. Às ovelhas, sugiro que caminhem sempre unidas ao rebanho para que não se percam do redil.

Com esse evangelho, aprendi que Cristo sempre foi movido por um amor "inteiro", que não tem metades, nem lados. O amor de Cristo por seu rebanho é um mistério acima de nossa capacidade de compreensão racional, mas se encaixa perfeitamente nos parâmetros da fé. É um mistério, que não se pode desvendar nem explicar, mas se vive intensamente e por ele é consumido.

Sou ovelha. Preciso ser pastor. Pertenço a um rebanho. Tenho um redil que me acolhe.
Sou católico, apostólico, romano. A ovelha, portanto, sou eu.


A OVELHA SOU EU
Fraternidade Toca de Assis



Abraços...

Eduardo Parreiras

quarta-feira, 25 de abril de 2012

SUBJETIVIDADE


Boa noite!!!

Depois de vários dias sem escrever, passo por aqui para deixar um "olá". Estou sem inspiração para redigir e não gosto de produzir textos quando não me sinto preparado. As palavras devem ser protagonistas, e não meras figurantes.

Tenho dito um sim à evangelização a cada "login e senha" do meu dia a dia. Entre abreviações e muitos outros vícios cibernéticos, tenho tentado levar o amor de Deus não somente a quem precisa, mas também àqueles que não querem precisar. Justifico-me.


Muitas vezes, percebo no olhar e nas atitudes das pessoas um vazio que não precisaria existir, um coração que não contém valores fundamentais, aqueles que nutrem o ser e o humano. A humanidade está defasada demais para crer, e é importante que se leve na carruagem do amor as lenhas que abastecem a fogueira santa do Espírito Santo, que dá vida e santidade a todas as coisas.

Muitos não pedem graças a Deus porque não sabem como pedir; pior, não sabem que precisam pedir. Deus está à espera daquele que clama por um Pai presente, sempre presente, onipresente. É claro que as bênçãos serão sempre derramadas do céu em direção à terra, mas o pedido é necessário em sua especificidade.

Muitas famílias tem perdido a noção do amém, assim seja, eu quero, eu aceito, eu posso. Tudo o que há de mais sagrado tornou-se tudo o que há de mais inútil. Toda a beleza da simplicidade tornou-se a feiura do sofisticado. A moda, essencialmente passageira, quer a todo custo tornar-se fundamental. Mas nunca será.

É óbvio que nossa vida seja passageira, mas temos a certeza de uma continuidade eterna. Isso é o que realmente importa... é confortável demais crer que, depois desta vida ingrata, teremos uma oportunidade de desfrutar todos os benefícios de uma vida sem excessos de humanidade, perene na eternidade, que não cabe no tempo.


E, por falar em tempo, alguém ainda se lembra dele? Não precisamos necessariamente viver o tempo, mas somos condicionados a ele. Deixar a eternidade tomar conta da alma é uma prática restrita a quem tem noção daquilo que não possui início nem fim.

Gosto dos graves; os agudos apenas enfeitam.

Depois da falta aparente de nexos, fico na esperança de jamais deixar as palavras na prisão da lógica. A subjetividade é minha grande paixão.


ESSENCIAL
Maninho


Paz e bem!


Eduardo Parreiras


sexta-feira, 13 de abril de 2012

AMADO MEU!






Ó Amado meu, tão belo e sem mancha, esperas glorioso por minha volta
Rocha firme, pedra angular, certeza do céu e glória do Pai
Teus perfumes são mais deliciosos que os unguentos
Teu olhar é apaixonante; atrai-me a tua formosura.

Esposo meu, amado meu, Senhor meu...
Em ti encontro o conforto que busco
em ti tenho a glória e a vitória
e em ti se realizam todos os meus desejos.

Olho para o alto e encontro a ti;
olho para baixo e teus pés aparecem a me guiar
olho para um lado e tenho tua companhia,
olho para o outro e te tenho por amigo.

Tu me cercas de graça e alegria,
tua vida é a vida de minha vida,
tua presença é a fortaleza que me ergue,
e tua glória é a alegria de minha alma!

Em ti espero, a ti busco, por ti suspiro...
Deleite de meu coração, paz da minha história:
teus espinhos, açoites e cravos são também meus
porque conquistaste-me por amor eterno.

Creio em ti!


CHAMA
Comunidade Católica Shalom
Versão de Ir. Kelly Patrícia - Instituto Hesed



Eduardo Parreiras

domingo, 8 de abril de 2012

RESSUSCITOU, ALELUIA!!!


Aleluia!!!! O Senhor ressurgiu!!! Aleluia!!!




É com grande júbilo e em clima de festa que hoje venho ao blog postar apenas uma música, sem mensagem minha. Há canções que não precisam ou não merecem uma reflexão, porque falam por si só.

Peço que acessem o vídeo com a música "Ressuscitou" da Comunidade Católica Shalom e rezem, louvem e a adorem o Senhor Jesus Cristo Ressuscitado neste dia tão maravilhoso! Rezando com a letra, internalize em sua vida a glória que celebramos neste dia!

Abraços!!!

RESSUSCITOU!
Comunidade Católica Shalom



Eduardo Parreiras

sábado, 7 de abril de 2012

DESPERTA, TU QUE DORMES!



Bom dia!

Hoje deixo um texto sumamente belo, que nos explica o sentido do silêncio do Sábado Santo. Este dia que sucede à Paixão do Senhor é de extrema importância para a nossa fé: Jesus desceu à mansão dos mortos. Leia, deguste este texto e, ao final, ouça a já conhecida música; qualquer semelhança entre o texto e a canção não é mera coincidência, e seu conteúdo serve para cada um de nós. De qual treva o Cristo precisa nos tirar?


"Jesus na mansão dos mortos, segurando as mãos de Adão e Eva, para reconduzi-los ao paraíso."


Deixo que a Liturgia da Igreja fale hoje. Segue o texto mais precioso que conheço.


De uma antiga homilia no Grande Sábado Santo - Século IV


A DESCIDA DO SENHOR À MANSÃO DOS MORTOS

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos,  agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, o nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós!" E Cristo respondeu a Adão: "E com o teu espírito!" E tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará!

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: 'Saí!'; e aos que jaziam nas trevas: 'Vinde para a luz!'; e aos entorpecidos: 'Levantai-vos!'

Eu te ordeno: acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade."


SEGURA A MINHA MÃO
Davidson Silva




Uma ótima páscoa a todos!

Eduardo Parreiras